Onipresença

Esses dias descobri a existência da onipresença. Tal intuição me pegou de supetão, confesso,  e foi difícil assimilar no principio. Mas com o tempo foi algo inegável, algo que não poderia jamais ignorar. Talvez seja algo que você já tenha experimentado também, não sei, não é nenhuma novidade. Mas, diferente de equação de segundo grau ou o nome completo de Dom Pedro I, você não consegue aprender o conceito a partir de um livro, um professor ou reforço. Cada um de nós acaba aprendendo-o uma hora ou outra. Não deve ser algo agradável para ninguém e, diferente da catapora que só vem uma vez para nunca mais voltar, esta colossal descoberta pode ser esquecida e lembrada novamente. Repetindo a coceira, a pele impregnada de manchinhas vermelhas e a quarentena.

Mas enfim, como dizia, descobri esses dias o conceito de onipresença. Não sou a pessoa mais religiosa do mundo e nunca encarei a onipresença de Deus como algo fatível. Mas agora minha opinião mudou. Deus é, sim, onipresente. Não me olhe assim, por favor, não mudei minha posição religiosa, cética até a vontade de discutir isso com meu interior florescer. Nah. Peguei esse exemplo pra poder deixar claro que isso não passa de uma metáfora. Uma linda metáfora, diga-se de passagem.

Há aqueles que “carregam Deus no coração”. Você deve conhecer, ou ser um, não importa. Isso significa (ou teria que significar), entre outras coisas, que essa pessoa vê em tudo a “obra divina”. Deus ronda sua mente o dia inteiro, relacionado a qualquer coisa, desde um “graças a deus não pisei nesta merda de cachorro aqui na rua” ou “Deus é pai” ao ver seu time de futebol marcando um gol. Ao se sentirem fracos, tristes, solitários, a Deus recorrem pedindo auxilio, proteção, atenção. Às vezes se decepcionam com o caminho que suas vidas estão tomando e, conseqüentemente, se decepcionam com Deus, mas QUEM tem coragem de repreendê-lo? O medo ao abandono está presente aqui também. Esse é, a partir de meu ponto de vista insignificante, o tal “Amor a Deus”.

Amor. Engraçado como uma relação amorosa parece ter as mesmas características. Por relação amorosa, entenda qualquer tipo de amor compartilhado por duas pessoas. Irmãos, amigos, amantes, pais-filhos. Pense bem. A quem recorremos, nem que seja com nossa mente, quando nos sentimos solitários, desanimados, desolados…? Àqueles que amamos. Eu, pelo menos, faço isso e sei que outros também o fazem.

Do que estava falando mesmo? Você se lembra? Muito bem, ia contar que descobri o conceito de onipresença. Depois de tudo isso, apenas temos que somar dois mais dois. Nós mesmos fazemos da figura de alguém que amamos, onipresente. Em momentos esporádicos na maioria das vezes. Momentos em que tudo ao teu redor te lembra aquela pessoa, em que teu mundos e limita àquela pessoa. O amor é a fórmula da onipresença. Assim como Deus, cada um de nós poderemos ser onipresentes no mundo de alguém, se esse alguém nos amar. Como disse antes, é algo difícil de se aceitar, perturbantes às vezes. Na maioria das vezes. Principalmente quando essa onipresença não se limita a momentos esporádicos.

Tenha uma boa tarde.

Texto escrito por um cervo apaixonado e sonolento. Não deve ser levado em consideração.

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Vamos fazer uma brincadeira?

Feche os olhos e não pense em nada especifico. Nada de espiar, hein! Você precisa estar cercado pela escuridão, mal conseguindo ver a luz artificial do monitor chocando contra tuas pálpebras. Faça isso por um minuto a partir de agora e depois continue lendo.

Fechou?

Muitos de vocês não devem ter gasto tanto tempo, confessem. Um minuto é tempo demais. Tá, então agora façam a mesma coisa, só que agora pensando no que você vai comer quando sair de onde estiver agora, o que terá de jantar. Um minuto aqui também, ajuste teu cronometro. Agora!

Pode fechar que eu espero…

E aí? Pensou? O que veio em tua mente, aparte de “que besteira é esta?” Um lanche do McDonald’s, aquele arroz e feijão delicioso que só tua mãe ou tua avó conseguem fazer? Alguns de vocês já devem ter parado na escuridão por mais tempo que na ultima vez, mas duvido que tenham passado dos dez segundos. A não ser aqueles famintos, que devem estar até agora babando com sua fantasia. Mas não me é suficiente. Pense agora nos teus problemas, nas dificuldades que você vem tendo na vida pessoal, no trabalho, nos estudos. Qualquer coisa vale. Pense em como resolvê-los também, se quiser, mas a principio só quero que façam uma lista mental. Sim, em um minuto também. Fechem os olhos lentamente agora.

Eu disse que esperaria.

Um, dois, três…

Pronto! Muitos problemas, né? Aposto que sim… Suficientes, pelo menos para ocupar um minuto inteiro de teus pensamentos. Alguns devem ter se animado e feito uma lista quilométrica ou simplesmente estejam mordiscando a unha do dedão tentando pensar numa solução para algo. Mas a brincadeira não foi para isto. Ainda resta um passo.

Você se atreveu a fechar os olhos e pensar em qualquer coisa, também em pensar em comida, assim como em teus problemas. Mas desta vez eu te DESAFIO a fechar os olhos e pensar naquela pessoa que você ama. Seja esse amor recíproco ou não, seja esse amor atual ou não. Apenas pense. Mas não aqui, na frente deste monitor que você provavelmente encara demais por dia. Levante-se e vá até o banheiro. Lá, fique de frente para o espelho e faça o mesmo que fez antes, mas desta vez materializando essa pessoa em teus pensamentos. Essa pessoa e tudo o que estiver relacionado a ela. A seu amor.

Pode ir, também esperarei. Quando voltar, continue lendo.

Voltou?

Pode se sentar, criatura. Muito bem. Me diga, agora, que sentimento estava expresso em teu rosto e em teus olhos quando você fitou teu reflexo? Ou, mais importante, o que você sentiu em teu peito? Em tuas mãos? Em tua boca, que sabor você sentiu? Se tua resposta é “nada”, das duas uma: ou você é um trapaceiro que perdeu tempo lendo isto sem seguir os passos, ou você não está realmente apaixonado.

Mas se você sim seguiu todos os passos direitinho e sentiu algo, qualquer coisa, parabéns. Por pior que seja tuas respostas, sinta-se feliz por ter esses sentimentos ardendo em teu interior. Porque é graças a essa chama, meus amigos, que sabemos que estamos vivos e, por alguns momentos, sabemos que temos um objetivo nesta vida.

E agora, meu querido ou minha querida, feche os olhos uma ultima vez. Preste atenção única e exclusivamente no bater de teu coração e depois, um minuto depois, abra os olhos lentamente.

Isso, feche.

E agora, abra-os.

Lentamente.

Obrigado por estes minutos. Tente repetir esse exercício todos os dias, com ou sema  ajuda deste texto. Não vou explicar o objetivo dele, os que tinham que entendê-lo o entenderam. Se você não entendeu, volte daqui a umas semanas ou meses. Quem sabe a coisa não mudou?

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A Viagem de Horn(ildo) IV

Capítulo 4 – Portas e óculos deslizantes

Horn não chegou a ver o impacto do jipe contra o portão de entrada do galpão que em teoria seria uma base secreta do governo americano. Sim, tudo não passava de uma teoria ainda para Hornildo. Afinal, desde quando ter vários homens fortemente armados disparando contra ti enquanto você tenta invadir sua morada eh sinal de que eles são militares protegendo os mais vis segredos do governo? Bobagens! Precisaria ver mais do que isso para ser convencido de que o que aquele velho tucano lhe dizia era verdade.

O problema era que não poderia ver muito com a cabeça agachada e o braço sobre seus olhos. Seu medo dos possíveis estilhaços que a desembestada entrada dele e de seus dois companheiros hippies com o jipe militar recém-roubado produziria, foi mais forte que a vontade de ver o mais rápido possível o conteúdo daquele superprotegido santuário. Ouviu o ruído surdo da carroceria do veículo se comprimindo ligeiramente enquanto abria caminho entre o metal enfraquecido pelas explosões. Esperou ouvir novamente os disparos dos militares, desta vez ecoando na estrutura metálica.

Mas não ouviu nada. Nada além do vento batendo em suas orelhas. O jipe não havia parado, ao menos.

Olhou finalmente por cima do braço e deparou-se com algo inesperado: estava dentro de um túnel, um corredor amplo o suficiente como para ser percorrido por dois jipes daqueles lado a lado. Era muito bem iluminado, as paredes e o teto possuíam um ar futurista que deu a Hornildo a sensação de ter entrado numa historia em quadrinhos.

-Você está bem, guri? – Perguntou Marc. Sua voz mostrava que a sua euforia não havia acabado ainda.

-Você eh que não está bem! Da cabeça! E se o portão tivesse resistido? – replicou ele. Sua euforia sim tinha ido embora depois daquele susto.

-Bah, tu tem que aprender a confiar em minha intuição.

-Sim, claro… – Disse o coiote enquanto entrava de qualquer jeito no banco traseiro do jipe, sentando-se ao lado de Ió. – O que tua intuição me te diz sobre isto? – E apontou para o corredor que atravessavam a uns cento e quarenta por hora e parecia não ter fim. Continuava levando-os reto, descendo pouco a pouco. – Isto era pra ser o interior destroçado de um galpão, não uma maldita nave espacial!

-Minha intuição diz que o que vamos ver por aqui vai ser uma brasa, guri! – Disse, girando o pescoço para ver melhor o banco de trás. – Então te segura bem aí…

-CUIDADO! – Gritou Ió, apontando pra frente, levantando-se do banco.

Marc, alarmado, voltou sua atenção para o volante e pisou no freio assim que viu as grossas barras metálicas emergindo de repente do solo, impedindo a passagem. Mas foi tarde demais, mesmo diminuindo um pouco a velocidade, o jipe bateu em cheio contra uma das barras. A traseira do jipe foi impulsionada para cima, fazendo-o dar um lento giro de 180 graus no ar, caindo de cabeça para baixo no chão.

Horn não sabia como conseguira fazer Ió sentar-se a tempo e agarrar-se de qualquer jeito na carroceria do jipe para não serem cuspidos fora pelo impacto. Puro reflexo, talvez. Ainda assim, sentir-se preso embaixo da tonelada que devia pesar aquele monstro de metal era agonizante. O coiote podia sentir algo úmido e quente escorrer por seu rosto, mas não lhe deu atenção. Precisava arrastar Ió para fora dali. Tateou em busca do braço da loba, mas não encontrou nada. Desesperou-se. Olhou para o lado e viu que já não havia ninguém do seu lado.

Foi quando sentiu como algo agarrava sua calda e o puxava para fora daquela prisão por um apertado vão proporcionado pela carroceria do jipe. Soltou um berro de desespero pelo susto, tentando se agarrar nos bancos, mas relaxou ao ouvir a voz de Ió atrás de si:

-Não é hora de ficar se escondendo, Hornildo! Sai logo daí! – Gritava ela enquanto, provavelmente, puxava de sua calda.

-Isso dói, sua maluca! – Gritou ele como resposta, soltando-se e permitindo ser arrastado novamente para a o mundo da luz. Lá estavam Ió e Marc, já em pé e com alguns ferimentos leves. – E tu não aprende mesmo, hein? Não me chame de… – Disse ele enquanto se levantava, espanando com as patas a sujeira de sua roupa, mas foi interrompido por Marc.

-Guri, melhor tu ficar quieto. –Disse ele, olhando para frente. – Temos companhia.

E tinham mesmo. Como se por arte de mágica, uma das placas metálicas que formam as paredes daquele imenso e interminável corredor deslizou para cima a modo de porta futurística e de lá saíram pessoas. Várias pessoas trajando jalecos brancos com detalhes em vermelho e um brilhante crachá no peito. Para Horn pareciam médicos, só que ao invés de um estetoscópio, empunhavam pistolas, devidamente apontadas para suas cabeças.

Eram seis no total e, com toda a calma do mundo, rodearam aos invasores, fazendo-os prensarem suas costas contra o jipe capotado. Foi uma raposa cuja pelagem se confundia com o jaleco branco quem falou primeiro.

-Ora, ora, quem diria! No final das contas os invasores não passam de uns pivetes. Como pode ser isso? – Comentou a raposa albina. Sua voz era rouca, possível resultado de anos ao lado do tabaco. – Vou arriscar perguntar: quem mandou vocês aqui?

O coração de Horn estava a mil. Se esforçava para fazer suas mãos levantadas pararem de tremer. “E agora? E agora? E agora?”. Olhou para seus companheiros de missão suicida e o desespero foi lentamente sendo substituído pela raiva. Afinal, como aqueles dois podiam transparecer tanta calma num momento como aquele? “Estamos mortos… Mortos!”

-Ah, ninguém, viemos pra ver o que tem aqui de tão secreto. – Quem respondeu foi Ió, como se fosse uma garotinha explicando o motivo de ter feito algo inocentemente travesso. – A senhora poderia nos mostrar? Por fa…

A resposta da mulher foi um disparo. O projétil chegou a roçar a pelagem de Ió, provocando um pouco profundo corte em sua bochecha. A loba levou ambas as patas até o corte, gemendo.

-Sem brincadeiras, por favor. E levantem as mãos vocês dois, sigam o exemplo do teu amigo. – E apontou para Horn com a pistola. O coiote engoliu em seco. – Vou perguntar mais uma vez: quem os enviou?

-Como você é mal-educada! Eu já disse que…

-Somos de uma organização russa secreta! – Gritou Horn, interrompendo a loba maluca, evitando qualquer tragédia. – Viemos para recolher toda a informação possível para a pátria-mãe… – Continuou ele, gaguejando em alguns pontos, sua mente trabalhando a mil para inventar o que mais falar. Ió e Marc o olhavam como se fosse a pessoa mais maluca do mundo. – Mas estamos dispostos a ceder-lhes informações importantíssimas em troca da liberdade… Por favor, leve-nos até algum representante da CIA capacitado para que possamos conversar.

O pânico já havia se apoderado de Horn, naturalmente. Nunca que numa situação normal ele inventaria tamanha baboseira. Precisava ganhar um pouco de tempo, e que jeito melhor de fazer isso que se fazendo passar por uma valiosa fonte de informações? As milhares de historias em quadrinhos que Horn costumava ler finalmente estavam servindo de algo.

-Acho difícil acreditar que um moleque de (quantos anos você tem? 18?) possa ser um espião russo enviado a uma missão suicida dentro do território americano. – Começou ela, ajeitando os pequeninos óculos com a garra do indicador. – Mas com o show pirotécnico que vocês apresentaram lá fora, vocês ganharam o beneficio da duvida.

-Então, vocês nos levarão até um…

-EU sou a responsável por tudo o que acontece nesta base, nem CIA, nem FBI, nem o próprio presidente tem autoridade para meter o dedo no que eu disser. Então acho que você poderá dizer tudo para mim. – A língua daquela mulher era a coisa mais afiada que Horn já vira. Suas palavras conseguiam atingir=lhe os nervos com maestria. Ou pelo menos essa era a sensação que o coiote, a flor da pele, tinha. – Mas é melhor não ficarmos aqui, o tanque deve estar prestes a passar.

-Bah, um tanque? Desses tri grandes? – Perguntou Marc, alarmado. Foi perfurado pelo olhar da mulher, aparentemente desgostosa por ser tratada com tanto descaso por um espião pé-rapado como aquele hippie.

-Provavelmente não do tipo que você esteja acostumado a ver, mas sim. Vocês simplesmente nos pegaram com a guarda baixa, normalmente nossas defesas não se limitam a um par de guardas noturnos. – Limitou-se a dizer ela, enquanto fazia uns quantos sinais para seus companheiros de jaleco. – Vamos até minha sala, lá poderei oferecer-lhes algo para beber.

Guiados por indicações de pistola e olhares intimidantes, os três se dirigiram até a porta por onde a raposa e sua trupe haviam saído. Antes de entrarem, um deles deu um sinal para o que Horn pensou ser uma câmera no teto e as barras que se encarregaram de destruir o jipe voltaram a camuflar-se embaixo da pista. Isto aqui deve ter câmeras vigiando cada metro quadrado”, pensou ele.

Entraram num corredor estreito, porém ainda melhor iluminado que o anterior. Antes da porta se fechar a suas costas, puderam ouvir um estrondoso som, como o de turbinas de avião acionadas. Vinha aproximando-se rapidamente, vindo do lado oposto ao que vieram. Horn virou a cabeça rapidamente para ver o que era aquilo, mas a porta já havia sido fechada. Apenas pode ouvir o som abafado de metal chocando contra metal antes dos som diminuir até sumir.

-Não faça essa cara assustada. – Comentou uma águia, dedicando-lhe um sorriso maroto. – Você já deve ter uma bela noção do que temos por aqui. Isso foi só nosso tanque.

-Hopkins, mais uma palavra e mandarei depenarem essa tua cabeça oca. – Ameaçou a chefe, sem dar-se o trabalho nem de girar-se. Continuava caminhando, a frente do grupo.

-O… O que vai acontecer com os outros… Senhora…?

-Thompson. Carmem Thompson. E é lógico que serão todos eliminados já. Não temos por que manter prisioneiros.

-Não! – Protestou Horn, a imagem de seus irmãos invadindo automaticamente sua mente. – Deixe-os ir! Senão… Senão juro por Deus que não haverá troca de informações alguma! – Ameaçou ele, sem demonstrar confiança alguma em suas palavras.

-Tolo. Ninguém mencionou nada de uma “troca”. Você vai me dar essas informações queira ou não. Fique feliz por você e seus dois amigos ainda estarem vivos. – Mais que nunca, suas palavras golpearam com força as colunas dos nervos de Horn. E desta vez, conseguiu provocar um belo desmoronamento em seu interior. Faltou-lhe ar, pensou em algo para dizer, continuar suplicando, mas tudo lhe pareceu inútil. As costas daquela mulher, bem mais baixa que ele, pareceram enormes de repente.

“Isto é uma loucura…” a momentânea excitação que ganhara antes fora daquela base, disparando contra os tais “guardas noturnos” acabava de desaparecer por completo, esmagada pela agonia que tomava conta de sua mente. “O que eu faço agora?” A cada passo que davam naquele corredor, sentia como se estivesse se aproximando do ultimo que daria em sua vida.

-Calma aí, Hornildo. – Consolou-o Ió, despertando-o de certo transe. Não é preciso dizer que sua voz não havia perdido a infantil serenidade de sempre. Seu corte no rosto parara de sangrar. – Eles sabem se cuidar. Tenha um pouco de fé desta vez.

-Fé? Pfff… – Zombou o tal Hopkins. – Contra aquele brinquedinho, nem Deus vai conseguir salvá-los.

-Tu parece ser um cara bem descrente também, hein, piá? Ninguém precisa de um Deus para ter fé. A fé é mais poderosa que isso… – Replicou Marc, como se recitasse a letra de uma canção.

-Senhorita Thompson, se estes caras são espiões, eu sou um peão de obra. Recomendo seriamente executá-los de uma vez.

-Ah, talvez você vire um peão de obra, Hopkins, se não calar essa boca. Me encarregarei pessoalmente disso. Agora limite-se a fazer teu trabalho que eu farei o meu. Ah, parece que finalmente chegamos. – disse, ao tempo que puderam ver o final do túnel.

Chegaram a uma câmara imensa, de vários andares de profundidade. Encontravam-se no mais elevado, o que lhes permitia ter uma visão privilegiada da espetacular construção subterrânea: os limites da câmara, retangular em seu todo, era cravejado por plataformas em espiral sobre as quais centenas de pessoas caminhavam, entrando e saindo de portas deslizantes como as de antes, todas usando um jaleco branco. Mas o que roubou a atenção dos três foi o que havia no centro, ocupando os vários quilômetros quadrados daquela gigantesca câmara: uma inconfundível nave espacial alienígena, com suas pulsantes e florescentes conexões, turbinas e canhões externos gigantescos.

-Bem vindos à Área 51, senhores. – Murmurou a raposa albina, ajeitando pela milésima vez os óculos em seu focinho.

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Hoje chorei no cinema… (Toy Story 3)

Hoje fui assistir Toy Story 3. Sim, a terceira entrega daquela famosa franquia de Pixar. Sempre prometia quando era criança que não me tornaria nunca um adulto chato que não gostava de ver desenhos, e a Pixar me ajudou muito nessa tarefa, cada filme deles sendo uma bela experiência tanto para crianças como para adultos. Então não poderia perder Toy Story 3. E, rapaz, este filme entrou em minha alma como nenhum outro jamais fez.

Exagero? Nah. Sempre ouvi dizer que um filme mais te marca quando você se identifica com ele, com algum personagem. E isso aconteceu comigo nesse filme, e como! Não vou fazer aqui uma critica ou um review do filme. Pra isso existem os críticos de cinema. Só quero tentar explicar o porque no final desse filme tive que morder a língua para não pagar mico numa sala de cinema cheia de crianças por chorar muito alto.

A historia você já deve conhecer: Andy, o garoto dono dos brinquedos protagonistas, cresceu e finalmente esta indo para a universidade. Então Woody e os personagens mais marcantes da serie precisam enfrentar o fato de que já não podem brincar com seu dono. Muitas coisas acontecem no filme, muita correria, muitas risadas (muitas mesmo), uma cena final tensissima! Mas ai chega aquele final. Tudo se resolve e a questão inicial do filme, o fato de Andy ir à universidade e deixar seus brinquedos para trás, deve ser concluído.

E isso, foi um golpe baixo.

Sem perceber, me vi em tela. Afinal, tenho meus 17 anos, vou para a universidade daqui a um mês, deixarei a casa de meus pais. Isso mexeu comigo. Me fez cair na real que estou deixando para trás algo mais que um pueblo minúsculo que desejo abandonar a todo preço. Estou deixando para trás os braços de minha mãe, de meu pai e minha Irmã, o conforto e segurança de um lar. Isso mexeu sim comigo, mas o final continuava.

De repente, Andy se vê encarando seus brinquedos, aqueles que fizeram parte de sua infância e, de certa forma, são sua infância. Ele de repente eh resgatado da euforia de “vou a universidade, sou maior, sou livre finalmente” para, por fim, olhar para trás e lembrar-se de sua infância. Ele vê a importância, o quanto aqueles pedaços de plástico e pano significavam, e resolve doar para uma garotinha conhecida. Então veio o golpe de misericórdia: ele apresenta à garotinha os bonecos, um por um, entrando, por ultima vez, na brincadeira, na fantasia.

Eu sempre fui um entusiasta dos bonequinhos. Não importava se eles já estavam sem alguns membros, se sua tintura estava gasta ou se simplesmente suas funções originais não funcionavam. Eles participavam de minhas brincadeiras. Desde que eu tenho memória ate o dia que eu [s]conheci a punheta[/s] comecei a sair com os amigos de tarde ao invés de ficar em casa, sempre criava historias épicas com meus bonecos. Me surpreendo ate hoje quando me lembro das historias que criava. Fazia ate seriados por episódios! Eu realmente entrava naquele mundo, interpretava personagens, improvisava cenários, inventava efeitos especiais (como jogar um bonequinho num copo de água e colocar no freezer para criar uma prisão criogênica)…

Toy Story 3 me fez olhar para trás durante as quase duas horas de duração. Me fez voltar a ser criança assistindo, com um grande sorriso estampado no rosto, como algumas crianças criavam suas historias fantásticas e improvisadas, me vendo ali em cena. Me fez olhar para trás e ver o quão importante foi esse período de minha vida, o quão feliz fui e a preciosidade que tenho em forma de lembranças. E também me ajudou a realizar que estou prestes a deixar tudo definitivamente para trás, por mais que eu tenha esquecido minha infância num baú estes últimos anos. Afinal, ela sempre esteve lá no cantinho do meu quarto. Era só eu abrir o baú e, sem que ninguém visse, deixar-me levar com a fantasia. Agora se supõem que sou um aduito, se supõem que devo atuar como um e se supõem também que, na ida de um adulto, não há espaço para ser criança.

Mas oras, a Pixar vem nos ensinando desde o primeiro Toy Story que nosso espírito infantil nunca morrera. E que não faz nenhum mau deixá-lo brincar um pouquinho de vez em quando.

Em suma: Toy Story me marcou e, por que não, me ajudou. A Pixar me deu esse presente, e eh algo que eu nunca poderei agradecer de uma forma que eu considere suficiente. Obrigado, Pixar. Mais do que cinema, vocês fazem filmes com verdadeira alma. E isso eh o que os fazem incomparáveis.

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A Viagem de Hornildo III

Neste capítulo, um pouco menos de blá blá blá. Senti que haveria espaço na história para um pouco de ação absurda, portanto, aqui está ela:

Capítulo 3 – Trocando Olhares com o Luar

Começara a bater uma brisa gostosa naquela noite banhada pela luz espectral da lua cheia, uma brisa que o coiote Hornildo até degustaria com os olhos fechados se não estivesse no momento mais tenso de sua vida, apertando contra si uma pistola que havia sobrado no caixote de armamentos. Ele engolia sem eco a cada três passos que dava, misturado em meio aquele pequeno grupo de uns quinze hippies, confiantes e bem armados, que se dirigiam à entrada do terreno daquele velho galpão que em teoria era uma base secreta do exército.

“Talvez isso tudo seja só maluquice desses caras. Talvez isto esteja mesmo abandonado.” Pensava o coiote, tentando controlar seus nervos enquanto arrastava suas patas pelo solo árido. O terreno não era fechado por um portão, simplesmente havia uma trégua de arame farpado grande o suficiente para se passar um caminhão. Os três veículos e únicos objetos que ocupavam o lugar além do galpão se quedaram imutáveis ali, como se observando, indiferentes, a aproximação dos intrusos. Estavam quase entrando. Quando o primeiro da fila pisou do outro lado da linha imaginária que separava o tal santuário militar do resto do mundo, Horn fechou os olhos, esperando o primeiro tiro. Esperou um, dez, vinte segundos, mas nada aconteceu. Viu que estava sendo deixado para trás.

-Pessoal, vamos embora! Não tem ninguém aqui, senão alguém já teria caído morto… – Começou a murmurar ele, correndo para tentar alcançar o grupo. Mas um som metálico mais a frente lhe interrompeu. Todos pararam e, dois segundos de um matador silêncio depois, um feixe de uma ofuscante luz artificial caiu sobre eles. Alguém, lá do galpão, acabava de ligar um holofote contra seus olhos.

-Escondam-se! – Gritou o raposo que liderava a fila, e num piscar de olhos, todos os hippies se espalharam pelo campo baldio, para buscar abrigo atrás dos jipes e do caminhão. Todos menos Horn, é claro.

-Vocês estão loucos? O plano é distraí-los, não pedir de cara que atirem na gente! EI!! – Gritou ele, acenando com ambas mãos, agitando a pistola em direção do feixe de luz, sem conseguir ver quase nada. – NÃO ATIREM!! POR QUE NÃO DESCEM AQUI PRA GENTE CONVER…?!

-HORNILDO!!

Mais uma vez ele não pôde completar sua frase. Antes de que uma arma fosse disparada desde algum lugar dentro do galpão em direção de Horn, Ió saltou de seu esconderijo e o atropelou, ambos capotando pelo chão, evitando o disparo. A garota se levantou imediatamente e puxou o braço do chocado coiote.

-Levanta, Hornildo, levanta!!

-Quer parar de gritar meu nome desse jeito, sua maluca? – Contestou ele, furioso, levantando-se e correndo para trás de um dos jipes com Ió, quase ao mesmo tempo que uma rajadas de projéteis atingia o chão, bem onde estavam. A rajada os acompanhou por um fio até chocar contra a blindagem do jipe. Horn encostou-se contra uma roda e fechou a cara, ofegante. – Por que já estão atirando na gente? Eles são o exército, saco, não terroristas!

-Talvez eles não sejam, guri, mas nós meio que somos. – Respondeu um gato negro de bandana multicolorida ao seu lado, soltando uma risadinha. – Essa é a prova de que seja lá o que eles estiverem fazendo aí dentro, é importante demais como para deixar qualquer um descobrir. – Enquanto dizia isso, Horn pôde ouvir os primeiros disparos dos hippies contra a base militar. – Se tu estiveres tão curioso quanto eu pra ver qual é a de tanta proteção, começa a atirar, guri. – Dito isso, empunhou firmemente seu fuzil e, deixando sua testa aparecer ligeiramente sobre o capô do jipe, começou a atirar.

De onde esses caras tiram toda essa coragem insana? Eles tomaram alguma droga nova? Algum soro do super soldado? Porque não é possível que um bando de hippies maconheiros que até ontem se limitavam a fazer rodinhas de Rock N’ Roll paz e amor assim, de repente, estivessem enfrentando o exército dos Estados Unidos da América para invadir uma base que escondia algo que nem eles sabiam o que era!

“Loucura”, pensou Horn, suas mãos suadas tremendo, empunhando a pistola. “Isto é uma baita loucura, não pode estar acontecendo…” o som dos disparos era ensurdecedor, Horn podia sentir em suas costas o impacto das balas dos militares contra o jipe e seu focinho começava a se irritar pelo odor a pólvora queimada que impregnava a brisa. Horn olhou para a lua. Ela retornou o olhar. E ele se lembrou de sua mãe.

“Nós iremos por trás”, disse ela, antes da ‘missão’ começar. “cinco minutos depois de vocês terem começado a distrair os soldados, nós vamos fazer um buraco na carcaça do galpão e entrar. O Roger, diz que conhece a base, ele sabe o que está fazendo. Então força lá na linha de frente, querido.” E finalizou com um beijo na testa de seu filho mais velho. “Mas mãe, COMO VOCÊ SABE DISSO?”, perguntou ele, aos gritos. “Eu sou tua mãe, eu sei de tudo, seu bobo. Cuide bem dos teus irmãos! E tente sobreviver! Se der, a gente vai no cinema depois dessa, ver aqueles filmes que você e teu irmão gostam tanto.”

Ah, é mesmo. Seus irmãos estavam em algum lugar daquele caos, inexplicavelmente segurando um fuzil. Talvez até atirando. E tudo por que, pensou ele. Porque sua mãe estava lá dentro e precisava deles. “E por que EU não estou atirando?” se perguntou. Olhou uma vez mais para a lua e encheu seus pulmões de ar. Encheu seus pulmões de ar, segurou sua pistola do jeito que sempre vira seus heróis do velho oeste fazer, e se virou, apoiando seu braço sobre o capô do jipe, esvaziando seu cartucho enquanto gritava desesperadamente. Sem mirar, sem esperar acertar alguém. Só atirou. E acertou! Não um dos soldados, mas sim o maldito holofote que até então impedia aos hippies ver contra quem estavam se enfrentando.

-RÁ! Boa, Hornildooooo! Toca aqui!

-Agora não, Ió. – Sussurrou ele, voltando para a segurança de detrás do jipe. Ele estava se sentindo ótimo, vivo! Cada tranco que a pistola dava, era como se uma onda de energia tomasse conta de seu corpo. O mais rápido que pôde recarregou sua pistola e voltou para olhar o estrago que havia feito.

A fachada do galpão, iluminada com suficiente claridade pelo luar, estava esburacada. Sobre o portão, o que antes parecia ser a única entrada para a base, haviam-se aberto três portinholas desde onde uns quatro soldados disparavam contra a horda hippie. O holofote, que antes ocupava a porta do meio, havia sido jogado para fora depois de inutilizado. Não dava pra saber quantos eram, nem quantos já haviam matado, mas isso de repente passou a não ter importância para Horn. O coiote apenas empunhou sua pistola e acompanhou a serenata de disparos que continuou por mais alguns minutos sem nenhum resultado. Os hippies eram rápidos o suficiente como para disparar e esconder-se, um de cada vez, confundindo os poucos soldados que respondiam com suas armas de repetição e sua munição infinita. Esse último preocupava, e muito, a Horn. Na empolgação, gastou três dos cinco cartuchos que tinha nos bolsos.

-Ai, que merda… – Murmurou o gato negro com a bandana, olhando por cima do capô. Intrigados, Horn e Ió levantaram a vista também e viram como um par de granadas sobrevoava a distância entre o outro jipe e a base. Gritos de “cuidado”por parte dos hippies invadiram o campo de batalha antes que a explosão fizesse o jipe voar alguns centímetros do chão e capotar, em chamas.

-NÃO! – Berrou Horn, pensando em seus irmãos, fazendo menção de se levantar.

-Sossega o facho aí! – Disse Ió, puxando-o pela camisa e fazendo-o cair sentado no chão. – Não é hora disso.

-Meus irmãos…

-Eles devem estar bem. – Disse ela, coma  maior naturalidade do mundo, como se estivessem ainda em um dos muitos acampamentos que fizeram naquele deserto, conversando sobre coisas fúteis e sem sentido. Mais sem sentido que fúteis. – Agora você vai é me ajudar. Não conta pro tio Mike, mas estou morta de vontade de saber o que ele quer tanto. Vamos entrar lá.

-QUÊ?!

-Marc, você nos ajuda? – Perguntou Ió, ignorando a estupefação de Horn.

-Claro, Ió, achava que tu não ias perguntar nunca. O que tu tá planejando?

-Vocês estão malucos?!

-Cala a boca, Horn, já já tá chovendo mais dessas encima da gente. Continua atirando!

Horn hesitou por um momento, mas obedeceu. Voltou a atirar em direção às portinholas, enquanto ouvia os planos de Ió. Se é que aquilo poderia ser chamado de um plano.

-Opa, tô dentro. – Disse Marc, um sorriso excitado embaixo dos bigodes felinos.

-Isso é brincadeira, né?

-AGORA! – Gritou ela.

Marc abriu a porta do jipe e pulou para dentro. Ió puxou a manga de Horn e ambos saíram correndo para o caminhão, onde todos os outros estavam. Uma saraivada de tiros lhes recebeu, quase alcançando a cauda de Hornildo. Quando chegaram atrás do caminhão, ofegantes, todos os outros os olharam intrigados, se perguntando o que iriam fazer.

-Não parem de atirar, pessoal! – Gritou ela, ao mesmo tempo que o som de um motor entrando em ignição superava ao rugir das armas, incansáveis. – AGORA, HORNILDOOOO! – E saiu correndo uma vez mais, desta vez em direção do galpão, da base.

-NÃO ME CHAME DE HORNILDO!!

Tudo pareceu acontecer em câmera lenta para Hornildo. Ele saiu da proteção da caçamba do caminhão e começou a seguir Ió numa desembestada corrida em direção daqueles que os disparavam. Ao mesmo tempo, o jipe onde Marc havia entrado começava a rodar seus pneus sobre o solo árido, levantando uma nuvem de poeira antes de entrar em marcha. Horn olhou para cima. Os disparos dos militares haviam cessado brevemente, e novamente um par de granadas era jogado; iria sobrevoar suas cabeças e chocar contra a caçamba do caminhão, talvez conseguindo o mesmo efeito conseguido com o jipe.

Mas Ió havia parado. Sim, e se girou para Horn, o qual, tentando não transparecer o terror em sua face, juntou suas duas mãos na altura de seu joelho e as ofereceu a uma Ió que jogava seu fuzil no chão. Uma Ió que, serenamente, como se estivesse a dançar balé, usou as mãos e o ombro de Horn como escada. E pulou, o mais alto que pôde, o suficiente como para agarrar ambas granadas. Enquanto seu corpo caía com toda a graça do mundo, atirou as bombas em direção contrária ao seu primeiro destino. Enquanto Horn tentava aparar a queda de Ió, as granadas explodiam a poucos metros das portas da base.

Uma buzina e um par de faróis chamaram a atenção de Horn. Era Marc, vindo em sua direção com o jipe, sem o capô. Pela explosão das granadas e a cobertura dos outros hippies atrás do caminhão, a saraiva de balas dos militares havia cessado. Sem querer saber quanto mais duraria a trégua antes de mais disparos caírem sobre eles, quando o jipe parou perto deles, Horn jogou Ió de qualquer jeito no banco de trás e se agarrou na armação do jipe, meio corpo de fora do veículo. Sem esperar qualquer sinal, Marc pisou novamente no acelerador.

Horn se sentia ótimo. Morrendo de medo de que a qualquer momento um militar podia levantar-se na janela e acertar sua cabeça desprotegida. Mas o fato de sentir toda aquela adrenalina em suas veias e ouvir como Ió se debatia no bando de trás para sentar-se direito, o fazia se sentir muito bem. Nem o fato do portão estar se aproximando tão rápido lhe assustava. E Marc continuava acelerando… Ainda restara algo de fogo das granadas, o portão parecia um pouco gasto, mas…

-Marc, espera aí… MARC! VAMOS BATER!

-IHÁÁÁÁÁÁ!! – Berrou o gato, enquanto o jipe destroçava o portão de entrada da base.

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A Viagem de Horn(ildo) – I & II

Começarei a postar aqui no Blog algumas histórias que eu for escrevendo. Aproveito também para já colocar os dois primeiros capítulos desta história longa que estou desenvolvendo. Divirtam-se!

A Viagem de Horn(ildo)

I – O Brado Hippie da Esperança

“O absurdo não existe, apenas existe aquilo que você não consegue compreender.” Ou isso era o que dizia o pai do jovem coiote que insistia em talhar aleatoriamente um pedaço de madeira sob um sol de quarenta e cinco graus. Mas claro, não aquele maravilhoso sol de quarenta e cinco graus estampado no maravilhoso céu azulado de uma maravilhosa praia do maravilhoso Caribe. Mas sim um sol de quarenta e cinco graus do infernal deserto de Nevada, tão amado estado americano.

O pedaço de madeira e a faca já bastante gasta escorregaram de sua mão enquanto nosso protagonista dedicava um cansado olhar às longínquas montanhas ao leste. Admirou, enojado, uma vez mais aquela vegetação rala que cobria pobremente o solo arenoso e imaginou o quão incrível parecia a idéia de que no meio daquele inferno houvesse um paraíso. “Welcome to Fabulous Las Vegas!”, parecia poder ler flutuando no ar ondeante, quase como uma miragem.

“O que demônios estou fazendo aqui?”, pensou ele, enquanto girava lentamente seu pescoço para um lado. Examinou desanimadamente um enorme acampamento, composto por barraquinhas de pano multicoloridas, das quais não deixavam de entrar e sair seus “companheiros”. Ao ar podia-se ouvir o som de diversos violões tocando ao mesmo tempo, acompanhados de um coro suave que cantava alguma canção dos Beatles. Ele sabia qual era, mas, demônios, não queria se lembrar do nome.

Estava mais do que cansado daquela psicodélica vida de alucinações, musica e o sonho de uma sociedade livre. “Por Deus, como eu fui parar no meio de todos estes hippies?!” Tornou a pensar o coiote, seu lábio inferior estremecendo-se ligeiramente. “Desde que meu pai morreu…”. Agora ele, um pouco zonzo pelo ligeiro odor a maconha que saia de uma barraca perto dele, assistia como uns quantos grãos de areia se arrastavam pelo solo. Praticamente podia visualizar o funeral de seu pai, sua mãe extremamente destruída pela morte de seu amado, as novas amizades que ela tinha ido fazendo em sua cidadezinha ao norte da Califórnia. Como de repente o sorriso voltara ao rosto de sua mãe (mesmo que seguido de uma fala mansa, despreocupada). Ate que, finalmente, ela puxou a ele, sua irmãzinha e seu irmãozinho para uma grande viagem pelo país com seus amigos “paz e amor” para, de alguma forma, reivindicar a liberdade que o mundo merecia.

Sentia saudades de um bom banho. Ah, minha nossa, como sentia saudades de sentir-se limpo! E, mais que nada, como sentia saudades de que as pessoas à sua volta estivessem limpas. O banho parecia ser mais que um tabu, quase que um sacrilégio entre eles, suas tentativas frustradas de alugar um quarto para si próprio em um motel à beira da estrada que o diga! O obrigaram com seus olhares desaprovadores a compartir o interior de uma perua multicolorida com todos os outros. Onde está essa liberdade que eles tanto reivindicam?

Também sente muitas saudades de sua namorada, seus amigos, sua vizinhança… Que crueldade tirar um garoto de 16 de seu habitat para enfurná-lo por mais de um ano numa atmosfera daquelas por uma causa que ele até mesmo desconhecia! Não fazia idéia do porque de terem deixado a caravana de peruas à beira da estrada do deserto para fazer uma espécie de peregrinação pelo deserto de Nevada. Mas é claro que ele os acompanhou.

Ele muitas vezes tentou abandonar, pular fora. Mas sempre lhe faltaram os colhões para encarar sua mãe, tão alegre, ou até mesmo para deixar-lhe uma pequena nota. Preocupava-se muito por ela e queria muito estar lá para protegê-la. Ou essa era a desculpa que dava a si mesmo para não aceitar que não fazia a menor idéia de como ganharia a vida.

Bem, pelo menos ele era o único que não conseguira adaptar-se a essa nova vida. Sua irmãzinha, agora com seus quinze anos, tinha arrumado um namorado, um jovem e mal cheiroso gato pardo, e se encantara com a filosofia hippie. Já seu irmãozinho, de doze anos, deleitava-se com o poder criativo da maconha para escrever suas histórias. Ele diz querer se tornar escritor quando crescer. Isso se chegasse aos dezoito.

Mas o que mais lhe irritava, o que mais despertava seu instinto psicótico, as ganas que tinha de queimar todas aquelas barraquinhas com todos dentro, era o fato de não respeitarem sua única regra. Por seus colegas em sua antiga cidade sempre era chamado de Horn. Horn, um nome imponente, muito bem visto por seus amigos e inimigos e uma engenhosa adaptação de seu nome real. E a regra era: nunca chamá-lo por seu nome completo.

-Hornildoooo! – Pôde-se ouvir uma voz feminina irritantemente estridente. O coiote Horn fez uma careta e levantou a vista, encarando uma loba prateada mais ou menos de sua idade, com cabelos loiros, que poderiam ser bastante atrativos com um par de banhos com bastante xampu, caindo sobre seus ombros. Ela sorria abertamente com sua faixa psicodélica na testa e os três amuletos que levava como colares no pescoço repousando sobre seus seios que não aparentavam muita abundância sobre as roupas folgadas. Esta era Ió, e tinha acabado de chamá-lo por seu nome.

Horn respirou bem fundo antes de responder.

-O que você quer agora, Ió? – Foi grosso, impaciente, mas o alegre sorriso de Ió se manteve imutável. – Estou ocupado. – Na verdade estava, ocupado com afundar no lodo da depressão, fazer dos pântanos da repressão seu eterno cemitério emocional, realizar…

- Ah, deixa de ser bundão! – Disse com sua voz estridente e bastante infantil, embora poderosa o suficiente para fazê-lo prestar atenção. – Quero que você cante pra mim. – Ela já estava à sua frente, agachada, seu sorriso brilhando a frente de seu focinho. Bem em frente.

- Pode esquecer. Você me pegou desprevenido aquele dia e me obrigou a cantar aquele lixo. – Disse ele, tentando aparentar nenhum interesse, mas se notava a quilômetros como havia ruborizado.

- Eu te peguei doidão, isso sim! – Riu ela, empurrando-o sem muita força, a suficiente para quase fazê-lo cair. – E é quando estamos assim que nosso coração fala mais alto. Eu sei que você gosta de tudo isto, seu bobo. Sen4ao não teria composto aquela musica. Que, por certo, é linda! E não vou morrer sem ouvi-la de novo, entendeu?

- Ah, mas EU vou. – Horn se levantou e, encaixando as patas em seus bolsos folgados, começou a caminhar entre as tendas, com Ió ao seu lado como uma sombra. – Queimei aquela letra ontem, se quer saber. Puf! Virou cinzas, como se nunca tivesse existido. Então me deixa em paz de uma vez! – Já tinha perdido as contas de quantas vezes tinha dito aquilo no ultimo ano. Talvez mais que em toda sua vida anterior. Sua outra vida.

- He, he, heee. – Aquela risadinha fez o estômago de Horn formigar. Tão típica dela, tão contagiante. Mas não se daria por vencido. Nunca se daria! – Até parece que você é assim. Você ainda deve guardá-la embaixo do travesseiro, bem guardadinha. Teu espírito hippie não te deixaria fazer outra coisa. – Enfatizou a palavra “espírito” colocando-se à sua frente e tocando o peito do Coyote com o indicador. Ele tentou acreditar que apontava para o direito por acidente.

- Argh, Cristo! Por que eu fui parar aqui? – Deixou escapar entre um suspiro, levantando seu focinho para o imenso céu sobre sua cabecinha confusa. Ok, talvez em algum momento tinha que se dar por vencido.

De repente, todas as guitarras foram silenciando, uma voz impondo-se sobre elas, chamando a atenção de todos. Reconheceu de imediato a voz do que todos chamavam de Tio Mike. Tio Mike era um tucano afeminado que às vezes achava que Horn chamava de Messias do Apocalipse. Suas longas cabeleiras à la Jesus Cristo e sua eloqüência ao guiar seu povo (seu povo hippie) à sua misteriosa missão eram o principal motivo.

Quando todos se aproximaram dele, calados, ele começou seu discurso:

- Meses! Meses de viagens, de uma dura peregrinação até nosso objetivo. E nós finalmente estamos a apenas um passo de nossa missão, a missão de libertar ao mundo das correntes consumistas, das repressões do governo, e das próprias pessoas e suas mentes lavadas pelos malditos programas de rádio! Com nosso próximo passo, estaremos mais perto de tornar realidade o nosso sonho de um mundo ideal! E é neste momento, rapazes, que deveremos ter mais determinação e mais fé em nossos ideais. Para fazer desta viagem produtiva, posso contar com vocês? – Houve unanimidade de “hurras” e “pode apostar”. Menos da boca torcida de Horn. – Então vou explicar-lhes o que viemos fazer neste fim de mundo!

“Ah, então tem mesmo um motivo”, pensou Horn, revirando os olhos. “Só espero que esse plano não envolva queimar-nos vivos ou nudez coletiva.”

- A um par de quilômetros ao nordeste há uma base secreta do governo, de suma importância para alguns assuntos internos que desconhecemos. Mas fontes seguras me afirmaram que é coisa grande! Nosso trabalho será sabotar esta base e causar o caos no governo desde dentro! Não seremos os únicos, claro, em vários outros pontos do país haverá outras rebeliões de diversos tipos! Será um ataque massivo com um único objetivo: fazer o mundo acordar para a realidade e animá-los a lutar por seus direitos! – O cérebro de Horn demorou alguns segundos para processar tudo aquilo. – Muitos talvez morramos, ou sejamos presos e torturados até a loucura! Outros talvez serão usados em seus macabros experimentos e nunca mais poderão ver a luz do dia. Mas os poucos que sobrevivam para completar nossa missão e contar para o mundo que é possível lutar, serão heróis! E é por eles que todos devemos estar prontos para sacrificar-nos! Vocês estão comigo??

O focinho de Horn estava extremamente torcido sua boca bastante aberta, como se acabasse de ver a coisa mais nojenta do mundo. Não era possível que algo tai absurdo estivesse saindo da boca de uma pessoa em sã consciência. Parecia a coisa mais inacreditável do mundo, era a coisa mais inacreditável que já tinha ouvido na vida! Mais inacreditável que quando sua mãe disse que iam viajar pelo país com hippies! Mais que quando sua mãe disse que seu pai havia morrido, e que não voltaria mais.

Mas pelo visto, aquele dia era dia de quebrar recordes. Imediatamente, o discurso de Tio Mike foi seguido por uma intensa onda de urros e brados.

-ESTAMOS!!!

II – O Diálogo da Colher

Horn abocanhou seu pedaço de pão e o mastigou distraidamente, fitando seu prato transbordante de uma sopa amarelada. A mesma sopa amarelada que havia tido de jantar no dia anterior e que, com certeza, ainda teria o mesmo gosto de detergente. Na superfície plana do caldo, podia-se ver o reflexo da lua cheia que pairava sobre o grupo de hippies, expectante com o que estava prestes a começar.
Eles haviam caminhado por mais umas quantas horas até chegarem numa cerca de arame farpado que rodeava num raio de alguns quilômetros ao que aparentava ser a tal base secreta do governo. Para uma base secreta, pensou Horn, parecia bem abandonada. Afinal, não passava de um galpão não muito grande no meio de um terreno completamente baldio, ocupado apenas por um par de velhos jipes militares e um caminhão. Nem sinal de qualquer guarda.

Tio Mike explicou o plano. Explicou que assim que atravessássemos aquela cerca de arame farpado, descobririam nossa presença e que alguns soldados nos atacariam.

-Eles são poucos – Disse ele – Mas estão bem armados. Vocês terão que distraí-los enquanto um pequeno grupo liderado por mim invadirá a base e executará o plano de sabotagem. – Parecia um agente da CIA falando. Isso deu um gelo na espinha de Horn. – Mas antes, vamos descansar um pouco, e jantar! Quem faz qualquer cosia de estômago vazio, afinal?

E lá estava Horn, com as orelhas baixas, o olhar perdido, com o monstro da expectativa embrulhando seu estômago. Durante a explicação de tio Mike, não deixou de olhar para os lados, em busca de alguém que dissesse para aquele velho o quão sem pé nem cabeça aquele plano era. Ou que pelo menos explicasse melhor que demônios era aquele plano de sabotagem. Mas não, como sempre, todos mantinham aquele sorriso e olhares de aprovação. Mais que um grupo hippie, parecia um pequeno exército sob o comando de seu general.

De repente, o prateado da lua refletido em sua sopa, antes esbranquiçado e surreal como todos os reflexos, se tornou um prateado brilhante e intenso, escuro, mais parecido a um cinza. E se movia. SIM! Se movia, mergulhava em sua sopa lentamente, fazendo a superfície de seu prato ondear. Mas aquilo não era a lua… Não podia ser! Levantou sua mirada perdida uns centímetros e se deparou com o rosto de Ió, a poucos centímetros do seu, concentrada em roubar sua sopa com sua própria colher.

-Mas quê demônios…?! – Horn arregalou os olhos e jogou seu prato para cima do susto. Uma bela quantidade de sopa morna caiu encima dele.

-Se é pra jogar fora, dá pra mim, poxa! – Protestou Ió, de cara amarrada. Horn se limitou a murmurar algum insulto. – Ah, não fica assim. Você parecia tão distraído… Resolvi te ajudar a terminar tua sopa. – Colocou sua colher na boca e ficou assistindo como Horn torcia sua roupa encharcada de sopa. – No que estava pensando?

-Em nada, em nada. Só em como demônios você consegue ficar tão tranqüila. Você e todo o mundo. Será que não perceberam que estamos indo numa missão suicida? Que daqui a menos de uma hora estaremos mortos PARA NADA?

-Você sabe que não é para nada, seu bobo. O tio Mike já explicou o motivo. – Disse ela, deliciando-se com sua colher. – Além do quê, a gente sai dessa.

-Haha, claro, claro! – Dizia Horn, deixando todo seu desespero crescente explodir em sua voz, cada vez mais alta. – E quem me garante isso? Você, Ió? Vocês não passam de um bando de malucos! Malucos alucinados com essa maldita maconha. Como vocês querem que eu confie em vocês?

-Você não precisa confiar, oras. Nunca precisou. – Ela soltou uma baforada na concha da colher e a depositou na ponta do focinho. A colher grudou de uma forma quase mágica e ficou balanceando-se em seu focinho tal qual um pêndulo.

-Hã?! O que você quer…?

-Você nunca precisou confiar em nós. Mesmo não confiando, continuou nos acompanhando, participando de nossas rodas, nossas conversas. Mesmo fazendo essa careta que sempre faz quando quer fingir que não está gostando de algo. – A levantou o indicador para o rosto de Horn, sem tirar os olhos da ponta de seu focinho, concentrando-se para fazer a colher balancear-se ao máximo sem cair. – Você vai fazer o mesmo agora, né?

-Como se eu tivesse escolha… Minha mãe e meus irmãos ainda estão aqui nesta maluquice! Quem vai protegê-los? Vocês? Nah, acho que não. Se não sou eu, ninguém mais poderá.

Ió deixou de olhar sua colher. Ao invés disso, dedicou uma mirada sem expressão à Horn. Levantou-se e, tirando sua colher do focinho, bateu com ela na cabeça do Coyote.

-Quer parar com esse mimimi? Você só não quer aceitar a verdade. Você nasceu pra isso tudo. – e ela saiu caminhando.

-Ai! Ei, espera aí! – Horn levantou-se também, esfregando seu cocuruto. Quando alcançou Ió, segurou-a pelo braço – O que você quer dizer com isso? Nasci pra quê?

-Para o mundo do Rock n’ Roll, querido. – E, dedicando-lhe um sorriso do mais angelical, bateu na cabeça do coiote novamente com a colher.

Horn esteve prestes a protestar, mas a voz de Tio Mike chamando a todos o impediu. Todos se reuniam para fazer a típica rodinha em torno do chefe hippie-supremo. Ió escapuliu-se de seu aperto e foi se reunir com o resto do grupo. Resmungando, Horn a seguiu. Tio Mike estava prestes a começar a falar quando chegaram. Ao seu lado havia outras três pessoas, entre as quais estava sua mãe. Ela tinha bastante amizade com tio Mike, não era tão estranho, mas ele ficou com um mau pressentimento sobre aquilo.

-Pois é, pessoal. Chegou a hora. Espero que tenham comido bem, fumado alguma coisa e descansado. Eu e estes três aqui do meu lado vamos nos infiltrar lá dentro enquanto vocês fazem a distração. Estaremos levando tudo o que precisamos nestas mochilas aqui. – Disse, dando um discreto chute em sua mochila, jogada no chão. Cada um tinha a sua. – Se os planos que temos de lá dentro são certos, não vamos demorar mais de quinze minutos pra sair de lá. Se demorarmos mais de quinze minutos, podem parar com a distração e dar no pé. Alguém deve lembrar de onde deixamos a perua. Eu não lembro bem, mas deve ter sido pra lá – disse, indicando a direção contrária pela qual tinham chego lá. – Enfim. Agora o que vocês estavam esperando, crianças. – E se agachou perto de um caixote enorme, que eles haviam carregado a viagem inteira. Horn sempre se perguntara o que diabos tinha guardado lá. Pegou um pé de cabra e, coma ajuda dos outros dois caras que compunham o grupo de tio Mike e sua mãe, abriram a tampa. – Tcharam! Isso deve ajudar pra segurar os militares por uns minutos, não acham?

O caixote de madeira era recheado de uma quantidade absurda de armas. Armas de todo tipo. Horn reconheceu umas quantas de uma revista que lera em seus dias de glória. Como uma M-14 que liderava o topo, ao lado de uma handgun prateada. Pacotes de munição se encontravam espalhados em volta de canos e gatilhos. Horn deu um passo pra trás enquanto que seus companheiros hippies caíram encima do caixote, alucinados, querendo garantir sua arma.

-Isso não pode ser verdade… Onde demônios eu me meti? – Murmurou para si mesmo, antes de unir-se à batalha para conseguir uma boa arma.

E ver se conseguia sobreviver àquela noite.

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Um Blog dos Pés de Bronze

Olá, povo! Bem vindo ao meu Blog, tal e como a educação que mamãe me deu me obriga a dizer. Nunca pensei que um dia tería um. Já havia pensado diversas vezes, afinal, o que há de mais interessante que a vida de um brasileiro no exterior? Mas aí descobri o Hoje É Um Bom Dia e desisti. Mas isso até hoje.

Muitos de vocês devem saber que o maior problema de manter um Blog é a vontade de escrever algo, ou ter algo sobre que escrever. Eu não quero ter esse problema, então me limitarei a escrever tudo o que vier em mente, sem preocupar-me em ser coerente, educado, seguir os padrões ortográficos (até porque, meu português é antigo, ainda uso trema em cinqüenta).

Bem, para um primeiro post, nada mais justo do que me apresentar, não acham? Sou Lucas, um paulista nascido na cidade do interior de Jundiaí, que puxa o “r” e tal. Vivi minha tenra infância em Campo Limpo Paulista até os 13 anos. Toda minha adolescência eu passei num pueblo, ou seja, numa cidade cuja população é tão insignificante que nem pode ser chamada de cidade, no interior da Catalunha, Espanha. Estudei o ensino fundamental e médio daqui. Agora mesmo de férias, assando de calor e vontade de começar a universidade.

Isto aqui será, portanto, onde depositarei toda minha verborrágia, seja em forma de histórias, seja em forma de diário, quem sabe uma que outra notícia também? Minha vida é super mega emocionante, vocês não vão se arrepender ;D

Agora deixa eu voltar a dormir.

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